2 de abril é o Dia Internacional da Verificação de Fatos

Nesta sexta-feira, dia 2 de abril, comemora-se o Dia Internacional da Verificação de Fatos. A escolha da data faz uma referência direta com o dia 1 de abril, conhecido como dia da mentira. A iniciativa é da Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês) que reúne diversas organizações focadas no enfrentamento às fake news. A data é comemorada desde 2017.

O trabalho de verificação de fatos suspeitos é realizado por agências, coletivos e organizações de jornalistas e comunicadores. O Coletivo Bereia, primeira iniciativa no Brasil especializada em checagem de desinformações que circulam em ambientes digitais religiosos, é uma das agências que trabalham com verificação de fatos desde 2019. O coletivo é formado por 26 pessoas, entre elas doutores, mestres, graduados e estudantes de cursos na área de comunicação. Os colaboradores estão distribuídos em todas as regiões do país e alguns estão ligados a segmentos religiosos diversos.

Desde 2016, a desinformação, uma informação que tem a intenção de enganar, ficou conhecida popularmente como Fake News (notícia falsa). A desinformação é baseada em mentiras, rumores, boatos, fofoca e difamação, que gera prejuízos não só plano individual, mas no coletivo e à democracia.

A pandemia de covid-19 mostrou como a desinformação pode ser nociva e mortal. Desde janeiro de 2020, a busca na internet por informações confiáveis e seguras sobre o novo coronavírus concorreu com a viralização de conteúdos falsos e enganosos, que afetam diretamente a tomada de decisões pessoais e de coletividades em relação a temas como as medidas de prevenção (uso de máscara e distanciamento social), a adesão ao tratamento precoce (ivermectina, hidroxicloroquina, azitromicina etc) comprovadamente ineficaz para tratar a covid-19, e a vacinação.

Essas são algumas das informações mais recorrentes no campo da saúde que têm gerado um esforço global de verificadores em todo o mundo para mostrar as mentiras e os enganos sobre o vírus. Mas não é somente na área da saúde que a desinformação prospera: processos eleitorais e políticas públicas são alvos de ações organizadas para promover mentiras, com financiamento e lucro.

Quando você receber uma informação, se parecer suspeita, acesse o site ou o perfil nas mídias sociais de agências de verificação de fatos. No Brasil, além do Bereia, são relevantes os serviços de verificação prestados pelo Projeto Comprova e pelas agências Aos Fatos, Lupa e Boatos. Na dúvida, não compartilhe. Verifique.

Sempre que você encontrar um conteúdo suspeito, envie para WhatsApp ou Telegram do Coletivo Bereia – (38) 98418-6691.

Projeto Comprova encerra terceira fase de projeto colaborativo sobre verificação de conteúdos suspeitos

Nesta sexta-feira, dia 05 de março, o Projeto Comprova concluiu a terceira fase do projeto colaborativo formado por 28 organizações de mídia para verificar conteúdos suspeitos que trafegam pelas redes sociais com alta viralização. O Coletivo Bereia participou dessa fase por meio do projeto Comprova + Comunidades, que integrou oito iniciativas jornalísticas, com as jornalistas Luciana Petersen e Juliana Dias. O grupo recebeu treinamento e apoiou investigações de conteúdos suspeitos sobre a pandemia de covid-19, entre os meses de setembro de 2020 a fevereiro de 2021. 

No total, 78 jornalistas e 14 estagiários de jornalismo participaram da fase 3 do Comprova. Foram publicados 283 relatórios de verificações. Dessas, apenas 8 provaram-se verdadeiras. As demais 275 eram falsas (conteúdo fabricado) ou enganosas (informações descontextualizadas, que confundem ou usam dados imprecisos).

Sete em cada dez investigações do Comprova nessa fase (194 verificações) estavam relacionadas à pandemia. Dois temas se sobressaíram nesse período: conteúdos suspeitos sobre o chamado tratamento precoce e drogas cuja eficiência contra a covid-19 não foi comprovada, caso de cloroquina e ivermectina, somaram 52 investigações; e 46 boatos sobre vacinas foram investigados pelos jornalistas do Comprova, com maior incidência nas últimas semanas.

Sobre esse tema, o Bereia colaborou também com as verificações que envolveram o contexto religioso, entre elas, Informações sobre ivermectina divulgadas por Silas Malafaia são enganosas e É enganoso post no Facebook sobre morte de médico por covid-19 após tomar a vacina.

Conteúdos suspeitos sobre políticas públicas relacionadas ao governo federal também foram investigados. Na fase 3, o número de investigações chegou a 61 verificações, a maior parte delas ligadas a políticas de infraestrutura e meio ambiente. Dentre as verificações que o Bereia participou sobre esse tema, destacamos a de um vídeo que engana ao atribuir a Bolsonaro obras em estradas do Mato Grosso feitas também por outros governos, que foi divulgado por uma pastora em no Pará.

Nesse período também contamos com o apoio da assessoria de comunicação do Grupo de Trabalho (GT) Multidisciplinar de enfrentamento à covid-19 da UFRJ, com indicações de especialistas para as verificações sobre a pandemia.

“Fazer parte do Comprova + Comunidades foi uma experiência transformadora, pude aprender amais sobre combate à desinformação com as metodologias e os profissionais do Comprova e sentir que fizemos a diferença combatendo tantas mentiras, especialmente a respeito da pandemia”, conta Luciana.

Para Juliana, a participação no Comprova, representando o Bereia, foi uma experiência importante em sua trajetória como pesquisadora na área da desinformação e jornalista que atua com verificação de conteúdos suspeitos.

“O trabalho colaborativo com jornalistas de diferentes Brasil e com os editores do projeto contribuíram para meu aprendizado sobre o processo crítico e criterioso que envolve as etapas de uma verificação. Formamos uma equipe que só se conheceu virtualmente para trabalhar durante seis meses num ambiente de solidariedade, companheirismo e profissionalismo em que compartilhamos experiências, conhecimentos e os desafios de atuar com checagem de informações. Agradeço ao Bereia, a parceria Luciana e ao Comprova por essa oportunidade incrível”, declara Juliana.

O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa cuja redação foi coordenada pelos editores Sérgio Lüdtke, José Antônio Lima, Helio Miguel Filho e David Michelsohn.

Para conhecer o projeto acesse o site oficial clicando aqui.

Coletivo Bereia integra projeto especial do Comprova

No mês em que completa um ano de fundação, o Coletivo Bereia é selecionado para integrar o projeto Comprova + Comunidades, que reúne oito iniciativas de jornalismo atuantes em comunidades ou com temáticas raciais e religiosas. O Comprova é uma iniciativa da First Draft, liderada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que trabalha em colaboração com jornalistas de 28 veículos de comunicação do Brasil no combate à desinformação.

As oito iniciativas selecionadas são coletivos e agências das cinco regiões do país e que estão conectadas a públicos segmentados por territórios, temáticas raciais ou religiosas e a comunidades vulneráveis. Os representantes de cada coletivo ou agência atuarão no Comprova por 6 meses, devido a um convênio da Missão Americana no Brasil com a Abraji para combater desinformação relacionada à COVID-19.

Do Coletivo Bereia participam Juliana Dias e Luciana Petersen, que participam do coletivo desde o início. Os coletivos e agências estão recebendo treinamento para verificação, apoio para aquisição de equipamentos e uma ajuda financeira para remunerar os profissionais que atuarão no Comprova. Além do trabalho colaborativo nas investigações, espera-se que os novos participantes possam ajudar na criação de novas narrativas que ajudem a disseminar o resultado das verificações feitas pelo Comprova.

Fazem parte do projeto as seguintes agências e coletivos:

  • Marco Zero Conteúdo – coletivo de jornalismo independente em Recife que realiza cobertura local e regional, com foco no interesse público e nos setores mais vulneráveis da população.
  • Agência Mural de Jornalismo das Periferias – tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a desconstrução de estereótipos sobre as periferias da Grande São Paulo.
  • Bereia – coletivo de jornalismo colaborativo para verificação de notícias em ambientes digitais religiosos.
  • Rádio Noroeste – instrumento de fortalecimento da cultura local, por meio da valorização das raízes e tradições populares, do esporte e lazer que animam a comunidade, e da economia da região noroeste de Goiânia.
  • Amazônia Real – agência que nasceu com o objetivo de fazer jornalismo independente, investigativo e pautado nas questões da Amazônia e de seu povo.
  • Coletivo Niara – grupo criado em 2014 por alunos da Universidade Federal do Pampa, campus São Borja, com o objetivo de acolher os ingressantes pretos e criar uma comunidade de apoio.
  • Alma Preta – agência de jornalismo especializada na temática racial do Brasil, cujo objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos por meio do jornalismo qualificado e independente.
  • Favela em Pauta – portal de notícias formado por jornalistas baseados em favelas e periferias das cinco regiões do Brasil e que exerce a comunicação sob a perspectiva jovem, negra e periférica, utilizando as técnicas do jornalismo profissional.

Para o presidente da Abraji, Marcelo Träsel, a inclusão das agências e coletivos amplia o alcance do Comprova junto a públicos ainda pouco atendidos. Também é mais um passo no compromisso da atual gestão em aumentar a diversidade nas atividades da associação.

“Informações falsas podem até matar. Principalmente na área de saúde. Esperamos que esse programa possibilite que informações de qualidade cheguem a brasileiros que nem sempre têm acesso a esse tipo de checagem”, disse o adido de imprensa do Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, Philip Drewry. “Nosso objetivo é garantir que brasileiros tenham à disposição as informações de que precisam para tomar decisões embasadas e conscientes.”

“Esta parceria representa muito para o nosso Coletivo. Primeiro, significa um reconhecimento da relevância do serviço que prestamos e da capacidade que temos de produzir conteúdo comprometido com informação de qualidade. Em segundo lugar, é uma oportunidade de aprendermos com o Comprova e com outros projetos e coletivos, o que trará, por certo, aperfeiçoamento para o nosso trabalho. Terceiro, é uma chance de aprofundarmos nossa perspectiva de jornalismo colaborativo e vocação de atuação coletiva”, afirma Magali Cunha, editora-geral do Coletivo Bereia.

As organizações de mídia envolvidas na terceira fase do Comprova são: A Gazeta, Gazeta do Sul, AFP, Band News, Band TV, Band.com.br, Canal Futura, Correio (da Bahia), Correio de Carajás, Correio do Estado, Correio do Povo, Diário do Nordeste (CE), Estado de Minas, Exame, Folha de S.Paulo, GaúchaZH, Jornal do Commercio, Metro Brasil, Nexo Jornal, NSC Comunicação, O Estado de S. Paulo, O Popular, O Povo, Poder360, Rádio Band News FM, Rádio Bandeirantes, revista Piauí, SBT e UOL.

Google News Initiative e Facebook Journalism Project ajudaram a financiar o projeto, e ambas as empresas estão fornecendo suporte técnico e treinamento para as equipes envolvidas. O Comprova tem como parceiros institucionais a Associação Nacional de Jornais no Brasil (ANJ), o Projor, a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), a agência Aos Fatos e a RBMDF Advogados. Os parceiros de tecnologia são CrowdTangle, NewsWhip, Torabit, Twitter e WhatsApp.

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Foto de Capa: Projeto Comprova + Comunidades/Divulgação

Organizações religiosas lançam ato de luto e memória pelas 100 mil vítimas de Covid-19 no Brasil

Neste sábado (08/08), às 16h, representantes de diferentes religiões realizarão um ato online de luto e memória pelas vítimas de Covid-19 no Brasil intitulado “Lamento 100 mil”. A iniciativa foi idealizada pelas entidades Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e Instituto de Estudos da Religião, e pelas organizações Paz e Esperança Brasil e Religiões pela Paz Brasil. O ato será veiculado na página do CONIC no Facebook.

“A morte de 100 mil pessoas é uma dor imensurável que se impõe a 200 milhões de brasileiros. Tempo de profundo lamento, luto, bem como gestos afetivos de solidariedade e oração às famílias e amigos das vítimas”, explica Clemir Fernandes, secretário-executivo adjunto do Instituto de Estudos da Religião (ISER).

Além do ato online será lançado um site com mensagens de conforto e esperança de 100 lideranças religiosas e espirituais da sociedade, em forma de prece, oração ou reflexão. “É um momento de interrupção da indiferença. A fé não nos autoriza a ficarmos indiferentes diante do sofrimento humano”, declara a pastora Romi Bencke, secretaria Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs.

Entre os dias 8 e 16 de agosto, também serão disponibilizadas no site mensagens de reflexões e os organizadores sugerem que sejam realizados atos e reuniões online sobre esse momento de mortes e sofrimento, especialmente no Brasil. Serão compartilhadas sugestões litúrgicas de diferentes confissões religiosas no site http://www.lamento100mil.com.br.

No dia 17 de agosto, é feito o convite para que lideranças civis, do executivo, judiciário ou legislativo, realizem cerimônias públicas laicas ou multirreligiosas, consagrando a data como o Dia Nacional do Luto e Memória pelas Vítimas da Covid-19 no Brasil.

Outra iniciativa é a divulgação da “Declaração Multirreligiosa para a Nação Brasileira em Meio à Crise da COVID-19”, assinada pela Religiões pela paz e que pode ser subscrita por outras organizações religiosas.

“Estamos em uma travessia coletiva que já conta 100 mil vítimas fatais no Brasil. Somente a empatia e a solidariedade serão capazes de nos conduzir à outra margem. Apenas desta maneira, chegaremos mais rápido e mais fortalecidos ao final desta pandemia”, conclui Michel Schlesinger, rabino da Congregação Israelita Paulista e representante da Confederação Israelita do Brasil para o diálogo inter-religioso.

Veja a íntegra do chamado para as ações “Lamento 100 mil. Luto e memória pelas vítimas de Covid-19 no Brasil. Afirmação e solidariedade a familiares e amigos” clicando no documento abaixo:

Decisão de soltar médico que estuprou 37 mulheres é falsa

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela inconstitucionalidade da prisão em segunda instância gerou uma onda de notícias falsas, em que o argumento principal gira em torno da soltura de presos condenados por assassinatos, pedofilia, estupros e crimes hediondos. No dia 10/11, o site Pleno News divulgou que “Decisão pode soltar médico que estuprou 37 mulheres”.

A notícia informa que a decisão do STF pode beneficiar 4.800 presos, dentre os quais, “Gil Rugai, acusado de matar o pai e madrasta, o DJ Renan da Penha e o médico Roger Abdelmassih. especialista em reprodução humana, Abdelmassih foi condenado a 181 anos de prisão pelo estupro de 37 mulheres”.

Dentre os três exemplos citados na matéria, o foco é o médico estuprador. Consta a informação de que desde outubro deste ano Roger Abdelmassih cumpre pena no hospital penitenciário em São Paulo, depois da juíza Andréa Barreira Brandão, da 3ª Vara de Execuções Criminais da Comarca de São Paulo, atestar que o réu tinha condições de fazer seu tratamento de saúde em regime fechado.

Em 2014, ele teve autorização para cumprir pena em regime domiciliar, pois a defesa havia alegado que o regime carcerário poderia agravar seu estado de saúde. No entanto, esse benefício foi revogado em 2019 e Abdelmassih retornou para o regime fechado.

A notícia do Pleno News apresenta uma informação falsa na chamada e com conteúdo controverso, em que o próprio exemplo citado (o médico estuprador) permanece preso, após pedidos de vista em  2019. Ao invés de aprofundar o debate sobre a prisão em segunda instância, a nota encerra com a informação de que o caso inspirou a série Assédio, lançada pela GloboPlay, em 2008.

A checagem do UOl Confere (09/11) sobre “Decisão que libertou Lula e outros presos gera enganos e fake news na rede” entrevistou o  advogado criminalista Leonardo Pantaleão para falar sobre esse argumento que circula nas redes e aparece também no Pleno News. Segundo Pantaleão,  é um equívoco afirmar que a decisão do STF impacta, de uma forma geral, em pessoas que cometeram este tipo de crime.

“A decisão encerrou a execução provisória da pena após a segunda instância. Ou seja, aquelas pessoas que não têm os requisitos de prisão preventiva têm o direito para aguardar o trânsito em julgado em liberdade para, então, começarem a cumprir a pena”, explica Pantaleão.

A advogado explica que pedófilos, homicidas e estupradores não serão impactados pois eles têm contra si a prisão preventiva. Para que não sigam praticando crimes, eles são colocados no sistema penitenciário independentemente do trânsito em julgado. Para esses casos, a decisão contrária à prisão de Segunda Instância não altera a atual condição deles.

Sobre a decisão do STF

Na última sexta-feira (07/11), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que é constitucional a regra do Código de Processo Penal (CPP) que prevê o esgotamento de todas as possibilidades de recurso (trânsito em julgado da condenação) para o início do cumprimento da pena.  

De acordo com o artigo 283 do CPP, “ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva”. O artigo está de acordo com o princípio da presunção de inocência, garantia prevista no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal.

Segundo informações do STF, a decisão não veda a prisão antes do esgotamento dos recursos, mas estabelece a necessidade de que a situação do réu seja individualizada, com a demonstração da existência dos requisitos para a prisão preventiva previstos no artigo 312 do CPP – para a garantia da ordem pública e econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal.

A decisão permitiu que o ex-presidente Lula fosse solto depois de 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. A liberação para que ele recorra em liberdade da condenação em duas instâncias no caso do tríplex em Guarujá foi feita com a autorização do juiz Danilo Pereira Junior.

A soltura do ex-presidente mobilizou seus opositores a empreenderem uma campanha em favor da prisão em segunda instância, sem considerar o contexto do que representa essa decisão, mas focando apenas na permanência ou não de Lula na prisão. No dia 09/11, houve convocação de manifestação no aumentou a pressão para que o Congresso aprove a mudança na Constituição para autorizar a prisão em segunda instância.  

Fontes da checagem:

https://pleno.news/brasil/cidades/decisao-pode-soltar-medico-que-estuprou-37-mulheres.html https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2019/11/09/boatos-e-fake-news-sobre-a-prisao-em-2-instancia-apos-lula-ser-solto.htm

Pré-sal ou Venezuela? Vídeos viralizam na rede com argumentos distintos sobre a origem e as causas do vazamento de óleo nas praias do Nordeste

Seguimos com a checagem das notícias divulgadas nas mídias digitais sobre o vazamento de oléo do Nordeste (link da primeira matéria). Em entrevista ao site Bereia, a professora Olívia informou que o Lepetro/UFBA – laboratório responsável pelo estudo para identificar as causas do vazamento de óleo –  possui capacidade técnica (composta por Complexo Laboratorial e Recursos Humanos) altamente especializada em Geoquímica do Petróleo. “Consideramos nosso dever institucional a realização de tais análises, uma vez que temos tido investimentos e parcerias há aproximadamente 19 anos em tal expertise”, afirma.  

Quanto à hipótese de que o vazamento é criminoso, Olívia explica que cabe aos órgãos responsáveis pela investigação responder. Nesse momento, o Lepetro está concentrado em esforços para identificar a assinatura do material (bacia petrolífera a qual o petróleo foi gerado e produzido; apresentação de processos de remediação do petróleo; estudos oceanográficos (correntes); reuniões com comunidades ribeirinhas afetadas, para esclarecimentos técnicos; e coleta de amostras para estudos multidisciplinares. 

Na internet, circulam vídeos com imagens que comprovariam que o vazamento provém da região de Canturra, no Norte da Venezuela com a seguinte mensagem:  

Então, agora ajude a espalhar isso também: 

E por onde estarão a ONU, o Papa, os ativistas do Greenpeace, os ambientalistas do mundo, a menina autista e o Macron, neste momento, após essa divulgação? 

*Próximo ao Terminal de passageiros de Cantaura, no norte da Venezuela, esse rio desemboca no Atlântico! 

Entendeu? 

Façamos com que essas imagens cheguem à Marinha do Brasil, e aos demais órgãos de controle e Governo, com urgência! 

E também circula um vídeo (veja logo abaixo) de Ernesto Cerino, afirmando que o vazamento provém do Pré-sal. 

ATENÇÃO A GLOBO NÃO ESTÁ INFORMANDO A VERDADE SOBRE O DERRAME DE ÓLEO NO NORDESTE: 

O derrame de óleo no Nordeste foi provocado por operadoras estrangeiras vencedoras da partilha do Pré-sal em Tupy.  

Engenheiros da Petrobras no anonimato estão denunciando, que vem do fundo do oceano. Eles estão utilizando um método não aplicado pela Petrobras de alta pressão para a retirada do petróleo das jazidas do Pré-Sal partilhada,  o mesmo metodo  utilizado pela Chevron na bacia de Campos que causou uma grande fissura no leito do mar e derramento de óleo na bacia de Campos à anos atrás. 

ASSISTA AJUDE A DIVULGAR 

No link abaixo, a agência Xeque apresenta o referido vídeo e a checagem conclui que o conteúdo é falso. O apresentador afirma ter conversado com um grande engenheiro e especialista em pré-sal, mas não cita o nome da fonte. A partir dessa conversa, ele obtém a seguinte informação: 

O DNA do petróleo já foi definido pela UFBA como petróleo venezuelano. A origem também foi mapeada pela COPPE da UFRJ do Rio de Janeiro. A causa dessa operação (o derramamento de óleo) é o embargo americano ao petróleo venezuelano promovendo um mercado paralelo, os petroleiros mulas (…).  

De acordo com a entrevista concedida ao site Bereia, pela pesquisadora responsável pelo estudo da Lepetro (UFBA), os especialistas estão  trabalhando para  identificar a assinatura do material (bacia petrolífera a qual o petróleo foi gerado e produzido). O estudo da COPPE não concluiu que a origem do éoleo era venezuelana, mas sim que não era do Brasil.  

As checagens feitas até o momento, apontam para a inclusão da origem do vazamento, apesar de inúmeras matérias sugerirem que a origem está comprovada. Seguimos checando essa notícia.  

Charges, notícias e pronunciamentos sobre vazamento de óleo acusam o governo da Venezuela e o Greenpeace

Circulam nas redes sociais charges sugerindo que a Venezuela é responsável pelo vazamento de óleo nas praias nordestinas e que há um silêncio por parte dos partidos de esquerda, Ongs, ambientalistas e ativistas, como a sueca Greta Thunberg, o presidente francês Emmanuel Macron, o papa Francisco e a deputada Marina Silva. 

O vazamento, que começou a ser noticiado no final de agosto, atinge  pelo menos 225 localidades de mais de 80 municípios em todos os nove estados do Nordeste. Além das charges, sites de notícias reproduzem a afirmação, como  Pleno News, no dia 10/10:  

Nova análise confirma que óleo tem origem da Venezuela 

O óleo que resultou nas manchas encontradas em mais de 130 localidades do litoral nordestino tem origem da Venezuela. É o que afirmou a pesquisadora Olívia Oliveira, em entrevista coletiva no Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA) na manhã desta quinta-feira (10). 

A pedido da Marinha, o Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe/UFRJ, sob a coordenação dos pesquisadores Luiz Landau e Luiz Assad, realizou um estudo para identificar o ponto de origem do vazamento de óleo. Utilizou-se um modelo matemático de correntes marinhas no Atlântico para cruzar os dados com o mapa de manchas de óleo encontradas na costa do Nordeste. Ao inverterem o sentido temporal do modelo, a partir dos pontos de destino do óleo fragmentado, chegaram a uma estimativa sobre sua origem. A área apontada fica fora da zona econômica exclusiva do Brasil em águas internacionais, entre 600 km e 700 km da costa brasileira, numa faixa de latitude com centro na fronteira entre Sergipe e Alagoas. Essa parte da análise foi entregue à Marinha. 

Durante uma coletiva de imprensa, realizada no dia 10 de outubro, a diretora do Instituto, Olívia Oliveira, afirmou que análise dos biomarcadores e da presença de carbono apontaram que o material contaminante tem semelhança com um dos tipos de petróleo produzido na Venezuela. “Nenhum petróleo produzido no Brasil apresenta distribuição de biomarcadores similar aos resultados encontrados”. A coleta de amostras ao longo da costa sergipana foi realizada em parceria com Universidade Federal de Sergipe (UFS). Ambos os estudos descartam a possibilidade do vazamento ter sido ocasionado em território nacional.  

Em entrevista ao jornal Correio, da Bahia, Olívia explicou que “existem alguns organismos que só viveram em determinado período da nossa era geológica, então quando identificamos esses organismos, chamados de biomarcadores, sabemos dizer quando ele viveu e comparamos com a idade das bacias petrolífera.  

De acordo com a pesquisadora em conversa com o Coletivo Bereia, o laudo completo está em posse da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).  

No dia 22 de outubro, o comandante da Marinha Brasileira, responsável pela investigação a respeito da origem do petróleo, Ilques Barbosa, declarou que o governo está concentrando as investigações sobre as causas da mancha de óleo nas praias do Nordeste em 30 navios de dez países diferentes. Mas, para ele, a maior probabilidade é que o vazamento partiu de um navio irregular, chamado de dark ship. A informação se contrapõe às declarações do presidente Jair Bolsonaro e do ministro de que se trata de uma ação criminosa. Essa embarcação. O comandante também afirma que o vazamento não tem origem nas bacias brasileiras.  

“O que se sabe pelos cientistas é que o petróleo é de origem venezuelana. Não quer dizer, que houve em algum momento, e não houve isso, envolvimento de qualquer setor responsável, tanto privado quanto público, da Venezuela nesse assunto”, afirmou o almirante-de-esquadra.  

Dark ship é um navio que tem seus dados informados às autoridades, mas, em função de qualquer restrição, de embargo que acontece, ele tem uma carga que não pode ser comercializada. Então, segundo o comandante, ele busca vias de comunicação marítimas que não são tão frequentadas, procura se evadir das marinhas de guerra e não alimenta seus sistemas de identificação. “Ele procura as sombras. E essa navegação às sombras produz essa dificuldade de detecção”, explicou.  

No dia 23 de outubro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles fez um pronunciamento em cadeia nacional afirmando que o presidente Bolsonaro determinou que o governo federal solicite à Organização dos Estados Americanos (OEA) um esclarecimento formal da Venezuela sobre o ocorrido. De acordo com o ministro, “as amostras analisadas em laboratório especializado identificaram que [as manchas] não vieram de território nacional, mas provêm de território venezuelano”.   

Após o pronunciamento, na quinta-feira, dia 24, Salles sugere que navio da Ong Greepeace derramou óleo no Nordeste. A declaração surge um dia depois de manifestantes do Greenpeace terem sido presos após protestar contra o avanço do óleo na frente do Palácio do Planalto e poucas horas depois de o próprio ministro reafirmar que o resíduo partiu da Venezuela.  

“Tem umas coincidências na vida né… Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano…”, escreveu Ricardo Salles no Twitter, junto com uma foto de um navio do Greenpea ce. 

O GreenPeace divulgou o posicionamento sobre as declarações do Salles: 

Ricardo Salles foge de sua responsabilidade mais uma vez 

O nosso navio Esperanza faz parte de uma campanha internacional chamada “Proteja os Oceanos”, que saiu do Ártico e vai até a Antártida ao longo de um ano, denunciando as ameaças aos mares. Ele passou pela Guiana Francesa, entre agosto e setembro, onde realizou uma expedição de documentação e pesquisa do sistema recifal conhecido como Corais da Amazônia, com o propósito de lutar pela proteção dos oceanos e contra a exploração de petróleo em locais sensíveis para a biodiversidade marinha. No momento, o navio está atracado em Montevidéu, no Uruguai. 

Tomaremos todas medidas legais cabíveis contra todas as declarações do Ministro Ricardo Salles. As autoridades têm que assumir responsabilidade e responder pelo Estado de Direito pelos seus atos. 

Fontes consultadas para a checagem:  

Agência Brasil: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-10/governo-pede-na-oea-que-venezuela-se-manifeste-sobre-oleo-diz-salles 

Lepetro: https://ufba.br/ufba_em_pauta/analises-do-lepetroigeo-indicam-correlacao-entre-oleo-encontrado-nas-praias-do 

Coppe: http://www.coppe.ufrj.br/pt-br/planeta-coppe-noticias/noticias/pesquisadores-da-coppe-detectam-origem-de-oleo-no-nordeste  

Congresso em Foco: https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/salles-sugere-que-navio-do-greenpeace-derramou-oleo-no-nordeste/ 

Greenpeace: https://www.greenpeace.org/brasil/press/posicionamento-ricardo-salles-foge-de-sua-responsabilidade-mais-uma-vez/