{"id":8969,"date":"2021-11-16T08:53:19","date_gmt":"2021-11-16T11:53:19","guid":{"rendered":"https:\/\/coletivobereia.com.br\/?p=8712"},"modified":"2021-12-20T08:56:01","modified_gmt":"2021-12-20T11:56:01","slug":"quando-as-pessoas-recebem-desinformacao-o-direito-a-informacao-e-negado-entrevista-com-magali-cunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/quando-as-pessoas-recebem-desinformacao-o-direito-a-informacao-e-negado-entrevista-com-magali-cunha\/","title":{"rendered":"&#8220;Quando as pessoas recebem desinforma\u00e7\u00e3o, o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 negado&#8221;. Entrevista com Magali Cunha"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Publicado originalmente na <a href=\"https:\/\/www.agenciasignis.org.br\/noticias\/entrevista\/2021\/11\/quando-as-pessoas-recebem-desinformacao-o-direito-a-informacao-e-negado\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ag\u00eancia Signis de Not\u00edcias<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Chega a parecer incoerente que crist\u00e3os sejam propagadores de not\u00edcias falsas, visto que o pr\u00f3prio Jesus aponta a &#8220;verdade&#8221; como um dos caminhos para segui-lo. Na teoria esse argumento bastaria. No entanto, vemos crescer o n\u00famero de pessoas de religi\u00f5es crist\u00e3s que n\u00e3o apenas recebem informa\u00e7\u00f5es sem fundamento, como tamb\u00e9m se tornam promotoras desses conte\u00fados.<\/p>\n\n\n\n<p>Incomodado com essa realidade, um grupo de jornalistas e pesquisadores, &#8220;com a cara e a coragem&#8221;, entendeu que era hora de agir. E, em 2019, surge o Coletivo Bereia e seu trabalho de <em>fact cheking,<\/em> especializado em conte\u00fados de car\u00e1ter religioso. &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Quem est\u00e1 \u00e0 frente dessa iniciativa \u00e9 <strong>Magali Cunha,<\/strong> com sua larga experi\u00eancia no jornalismo e pesquisa em comunica\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de editora-geral do Bereia, \u00e9 doutora em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunica\u00e7\u00e3o e Religi\u00e3o da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunica\u00e7\u00e3o (INTERCOM), membro da Associa\u00e7\u00e3o Internacional em M\u00eddia, Religi\u00e3o e Cultura e da Associa\u00e7\u00e3o Mundial para a Comunica\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 (WACC).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta entrevista, Magali conta um pouco da sua caminhada na profiss\u00e3o, a proposta e desafios do Coletivo, num momento em que a pr\u00f3pria religi\u00e3o \u00e9 instrumentalizada de forma estrat\u00e9gica para alcan\u00e7ar objetivos pol\u00edticos e econ\u00f4micos. &nbsp; &nbsp; &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi sua trajet\u00f3ria no jornalismo e sua experi\u00eancia com checagem de not\u00edcias?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Minha trajet\u00f3ria \u00e9 longa, eu me formei nos anos 1980, pela Universidade Federal Fluminense. O sonho do meu pai era que eu fizesse Direito porque, segundo ele, eu tinha que lutar pela verdade. Era o per\u00edodo da Ditadura Militar e meu pai era um sindicalista muito preocupado com a justi\u00e7a, com a verdade. Eu disse a ele: &#8220;pai, eu vou lutar pela verdade e pela justi\u00e7a mas por outros caminhos. Eu gosto muito de escrever e eu me vejo como jornalista&#8221;. Eu fui atr\u00e1s dessa minha voca\u00e7\u00e3o, fiz o curso de jornalismo e depois fui convidada para trabalhar numa organiza\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica de nome &#8220;Koinonia&#8221;, que naquela \u00e9poca se chamava Centro Ecum\u00eanico de Documenta\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o. Eu tinha a tarefa de coordenar um pequeno jornal que se chamava &#8220;Aconteceu&#8221;, que reunia not\u00edcias relacionadas ao mundo religioso no Brasil, principalmente de cat\u00f3licos e evang\u00e9licos naquele momento. E a nossa tarefa era muito interessante: reescrever not\u00edcias que sa\u00edam nos jornais e que a gente identificava lacunas ou equ\u00edvocos da cobertura sobre religi\u00e3o. Ent\u00e3o, a gente reescrevia. Isso pra mim j\u00e1 foi uma escola saindo da universidade&#8230; Depois, eu fui fazer o mestrado e entrei no mundo acad\u00eamico, me tornei professora, mas nunca deixei o jornalismo, sempre escrevendo, sempre atuando nesse campo. &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como surgiu a ideia do Coletivo Bereia e qual a proposta?<\/strong> Essa iniciativa nasceu de uma pesquisa na universidade. Quem criou o Coletivo Bereia foram jornalistas e pesquisadores que, na \u00e9poca,&nbsp;trabalh\u00e1vamos em pesquisa na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) sobre dissemina\u00e7\u00e3o de fake news entre grupos religiosos. Aconteceu que vendo o resultado dessa pesquisa, que foi muito significativo, uma parte desse grupo se questionou sobre uma tomada de atitude para enfrentar o problema da desinforma\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, resolvemos criar um projeto com a cara e a coragem, sem dinheiro, sem nenhum recurso, s\u00f3 a nossa vontade e o expertise, aquilo que pod\u00edamos fazer como jornalistas e pesquisadores em religi\u00e3o, voltado para o grupo religioso. E tivemos o apoio de uma organiza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 chamada &#8220;Paz e Esperan\u00e7a Brasil&#8221; que nos ajudou com recursos para colocar o projeto no ar, atrav\u00e9s de um site com os conte\u00fados que a gente estava criando. Assim come\u00e7ou. &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Poderia nos explicar o significado do nome do Coletivo?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>O nome &#8220;Bereia&#8221; foi escolhido por ser um nome que est\u00e1 na B\u00edblia, \u00e9 de uma cidade grega. A hist\u00f3ria, segundo o texto b\u00edblico, \u00e9 que as pessoas que receberam a prega\u00e7\u00e3o dos primeiros ap\u00f3stolos do cristianismo nessa cidade foram conferir nas escrituras se o que estavam ouvindo era verdade. Ent\u00e3o, a gente j\u00e1 procurou um nome relacionado \u00e0 religi\u00e3o j\u00e1 pensando que poderia causar uma identidade com o p\u00fablico-alvo, especialmente os crist\u00e3os, como \u00e9 identificada a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p> &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como se d\u00e1 a metodologia de checagem das informa\u00e7\u00f5es?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, n\u00f3s temos uma equipe formada por 23 pessoas. Desse grupo 22 s\u00e3o volunt\u00e1rias, inclusive eu. N\u00f3s temos uma pessoa que recebe uma bolsa e, entre outras atividades, nos ajuda a colocar os conte\u00fados online. Para os volunt\u00e1rios, n\u00f3s pedimos uma dedica\u00e7\u00e3o de 4 horas por semana e n\u00f3s nos organizamos em equipes, de segunda \u00e0 sexta-feira. Essas equipes fazem o trabalho de monitoramento de sites e perfis de m\u00eddias sociais e, al\u00e9m disso, est\u00e3o atentas a discursos de personalidades de destaque pol\u00edtico e a eventos sociais que envolvem a tem\u00e1tica religiosa, como foi o caso do discurso do Presidente Jair Bolsonaro, durante a reuni\u00e3o da ONU, em setembro deste ano, e dos atos do dia 7 de setembro, no Brasil. O nosso prazo \u00e9 muito curto para tamanha demanda. Por exemplo, a pesquisa de WhatsApp da UFRJ mostrou que desinforma\u00e7\u00e3o das m\u00eddias digitais circulam por 48 horas. Ent\u00e3o, se a gente quer concorrer com a desinforma\u00e7\u00e3o, se a gente quer mostrar o outro lado, a gente tem um prazo muito curto que \u00e9 de 24 a 52 horas para produzir uma mat\u00e9ria e, mesmo considerando a quest\u00e3o do voluntariado nessas equipes, a gente tem procurado cumprir esses prazos. Fundamentalmente \u00e9 feita uma pesquisa do tema que \u00e9 a contextualiza\u00e7\u00e3o. Todo trabalho de verifica\u00e7\u00e3o precisa ser contextualizado. Que tema \u00e9 esse, do que ele trata, como ele surgiu e, a partir da\u00ed, explicar esse tema nas suas nuances todas. Nesse processo, a gente recorre \u00e0 entrevista com especialistas, pesquisas e fontes das mais diversas. Feito isso, \u00e9 dado um parecer a este conte\u00fado: verdadeiro, falso, enganoso, impreciso ou inconclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p> &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que fatores contribuem para a propaga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>A propaga\u00e7\u00e3o de conte\u00fado falso n\u00e3o \u00e9 uma novidade. Isso \u00e9 coisa humana. Desde que mundo \u00e9 mundo as pessoas usam de falsidades, de engano para poder conseguir algum benef\u00edcio pr\u00f3prio ou para poder interferir em alguma causa, algum objetivo. Ent\u00e3o, isso \u00e9 coisa antiga. E nas m\u00eddias, principalmente no jornalismo, a gente vai identificar v\u00e1rios exemplos, v\u00e1rios momentos em que o jornalismo se rendeu aos conte\u00fados falsos por quest\u00f5es pol\u00edticas ou interesses econ\u00f4micos de donos das m\u00eddias &#8211; porque a gente sabe que as m\u00eddias tem donos, tem perspectivas pol\u00edticas e econ\u00f4micas que muitas vezes comprometem o jornalismo. Mas a gente vai ver essa explos\u00e3o do tema mais recentemente. Em 2016, a palavra do ano do dicion\u00e1rio Oxford foi &#8220;p\u00f3s-verdade&#8221; e que est\u00e1 relacionada a este tema da desinforma\u00e7\u00e3o justamente por conta dessa explos\u00e3o das m\u00eddias digitais, das possibilidades que as pessoas t\u00eam hoje de serem produtoras de conte\u00fado, muito mais do que receptoras. Ent\u00e3o, o p\u00fablico hoje, as pessoas que t\u00eam acesso \u00e0s m\u00eddias digitais &#8211; e, \u00e9 um acesso muito amplo, de diferentes camadas sociais, diferentes forma\u00e7\u00f5es humanas &#8211; tornaram poss\u00edvel essa prolifera\u00e7\u00e3o e essa participa\u00e7\u00e3o intensa, tanto na produ\u00e7\u00e3o quanto no recebimento tamb\u00e9m. &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que caracter\u00edstica torna esses conte\u00fados atrativos e aceit\u00e1veis? Quais s\u00e3o os principais assuntos abordados pelo Bereia?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>A tem\u00e1tica \u00e9 a principal caracter\u00edstica. Por exemplo, &#8220;pol\u00edtica&#8221; \u00e9 um tema chave. A religi\u00e3o na pol\u00edtica hoje tem uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita. As pessoas querem saber o que os pol\u00edticos est\u00e3o fazendo relacionado \u00e0 religi\u00e3o. Seja no Executivo, seja no Legislativo e tamb\u00e9m no Judici\u00e1rio onde, recentemente, o tema da religi\u00e3o tem avan\u00e7ado. Temas relativos \u00e0 moralidade tamb\u00e9m s\u00e3o muito compartilhados. Temas que tenham a ver com a sexualidade humana, idem. Por exemplo, uma das maiores fake news dos \u00faltimos tempos \u00e9 a chamada &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221;. Esse termo \u00e9 falso e enganoso tamb\u00e9m e sempre estamos trabalhando com ele. Outro assunto \u00e9 a persegui\u00e7\u00e3o religiosa. Hoje se fala muito de crist\u00e3os que s\u00e3o perseguidos fora do Brasil, especialmente no Oriente M\u00e9dio e nos pa\u00edses denominados &#8220;comunistas&#8221;. E, de 2020 para c\u00e1, conte\u00fado relacionado \u00e0 Covid-19 foi campe\u00e3o de verifica\u00e7\u00f5es, inclusive, causando contamina\u00e7\u00e3o e morte. Desinforma\u00e7\u00e3o mata, fake news mata e a gente observou isso com o uso da religi\u00e3o muito forte nessa tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p> &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea citou a pol\u00edtica como uma das tem\u00e1ticas mais presentes para a constru\u00e7\u00e3o desses conte\u00fados desinformativos. A partir de que momento ela passa a ser usada de forma estrat\u00e9gica por grupos e pessoas?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 2016, o tema da desinforma\u00e7\u00e3o ganhou novos contornos. E por qu\u00ea? Porque 2016 \u00e9 o ano do Brexit, da campanha pela sa\u00edda da Gr\u00e3 Bretanha da Uni\u00e3o Europeia e houve muita desinforma\u00e7\u00e3o para criar medo, fazer um terrorismo verbal e as pessoas votarem pela sa\u00edda. Isso gerou, inclusive, uma s\u00e9rie de processos na justi\u00e7a. Tamb\u00e9m foi o ano da elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump nos Estados Unidos, que usou a mesma metodologia do Brexit para fazer a campanha eleitoral. Ent\u00e3o, 2016 foi o ano em que esses temas come\u00e7aram a ser discutidos porque, pela primeira vez na hist\u00f3ria, as m\u00eddias sociais apareceram com muita for\u00e7a para promover desinforma\u00e7\u00e3o com interesse pol\u00edtico. Diversos estudos passaram a ser desenvolvidos e a Uni\u00e3o Europeia tem um pr\u00f3prio sobre essa quest\u00e3o. E, partindo dessa pesquisa, foi criado um conceito de desinforma\u00e7\u00e3o que a gente tem usado no Bereia. Ele define que desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 toda e qualquer informa\u00e7\u00e3o deliberadamente produzida para interferir em interesses p\u00fablicos ou para ganhos econ\u00f4micos. Ent\u00e3o, por exemplo, no caso da Covid a gente vai ver pessoas e empresas que ganharam muito dinheiro com cloroquina, com ivermectina, com tratamento precoce, empresas farmac\u00eauticas, planos de sa\u00fade etc. Aqui no Brasil, a gente tem uma CPI das fake news nas elei\u00e7\u00f5es de 2018. Existem grupos que ganharam com isso. &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesse sentido, o que dizer dos \u00f3rg\u00e3os reguladores?<\/strong> Acredito que \u00e9 uma das grandes pautas de quem trabalha pela democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o e da dignidade no trato com a informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso regula\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso legisla\u00e7\u00e3o porque as empresas de m\u00eddias sociais, as plataformas, as empresas jornal\u00edsticas se autorregulam e a gente precisa da sociedade civil participando desses processos. Mas o mais importante nisso \u00e9 a legisla\u00e7\u00e3o que garanta o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Quando as pessoas recebem desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo negado. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso acompanhar muito bem essas iniciativas, especialmente o andamento desse tema no Congresso. &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se existem conte\u00fados desinformativos que partem justamente de ve\u00edculos que s\u00e3o ditos &#8220;confi\u00e1veis&#8221;, um dos problemas n\u00e3o estaria na forma\u00e7\u00e3o do profissional dessas institui\u00e7\u00f5es?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>O Coletivo Bereia \u00e9 um projeto que faz jornalismo especializado. E, h\u00e1 muito tempo nas escolas de jornalismo n\u00e3o h\u00e1 disciplinas que tratem da cobertura de religi\u00e3o. \u00c9 uma certa defasagem. A gente encontra muitos erros de cobertura. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a desinforma\u00e7\u00e3o liberada, existem erros na reportagem porque n\u00e3o h\u00e1 muita forma\u00e7\u00e3o. Se a pessoa n\u00e3o tem a iniciativa de buscar uma forma\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica em religi\u00e3o, ela n\u00e3o vai conseguir cobrir adequadamente o tema. Agora, quando a gente fala dos espa\u00e7os digitais, precisa muito pensar uma forma\u00e7\u00e3o para compreender como as m\u00eddias operam. N\u00e3o adianta s\u00f3 produzir para as m\u00eddias, n\u00e3o adianta s\u00f3 pesquisar. A gente precisa saber como elas operam. A velha hist\u00f3ria dos algoritmos, entender o que \u00e9 isso, da monetiza\u00e7\u00e3o&#8230; Tudo isso implica em elementos que est\u00e3o na forma de operar do universo digital. A gente tem a composi\u00e7\u00e3o desses elementos todos nas m\u00eddias sociais&#8230; tudo isso a gente precisa entender. N\u00e3o adianta saber fazer, saber ler, saber pesquisar se a gente n\u00e3o sabe como \u00e9 que opera, o que est\u00e1 por tr\u00e1s. Isso \u00e9 uma coisa muito importante. Outro ponto est\u00e1 na apura\u00e7\u00e3o. Muita coisa que sai em grandes m\u00eddias \u00e9 por falta de apura\u00e7\u00e3o. O jornalista se conforma com o material, n\u00e3o procura especialista, n\u00e3o fez leituras para al\u00e9m do que acompanhou em sites, esquece dos livros, esquece dos artigos&#8230; \u00c9 preciso ir fundo na apura\u00e7\u00e3o, conhecer as fontes, n\u00e3o d\u00e1 para ficar s\u00f3 com o superficial &nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>O trabalho que o Bereia realiza \u00e9, em certa medida, de reparo dentro de uma cadeia de desinforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 separar o joio do trigo, como diz o lema do Coletivo. Mas o que pode ser feito para essa erva daninha nem chegar a aparecer?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>A gente tem um desafio. A gente entende que n\u00e3o adianta s\u00f3 publicar uma mat\u00e9ria dizendo que um conte\u00fado \u00e9 falso ou enganoso e apresentar uma contextualiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso fazer educa\u00e7\u00e3o para a informa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, um trabalho que vai junto com a verifica\u00e7\u00e3o que a gente faz \u00e9 o trabalho educativo, formativo. Nosso projeto tamb\u00e9m oferece palestras, minicursos, apoia grupos religiosos que est\u00e3o preocupados com esse tema, e a gente tem no nosso site uma se\u00e7\u00e3o chamada &#8220;Are\u00f3pago&#8221;, que \u00e9 um espa\u00e7o de discuss\u00e3o ampla, em que a gente publica tamb\u00e9m artigos sobre o tema, pequenas instru\u00e7\u00f5es sobre como cada pessoa pode por si mesma fazer uma verifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o trabalho de <em>fact cheking. <\/em>O trabalho&nbsp;n\u00e3o se esgota numa mat\u00e9ria de verifica\u00e7\u00e3o,&nbsp;na publica\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica de um conte\u00fado. O nosso trabalho tamb\u00e9m \u00e9 o de educadores e educadoras, formadores para a informa\u00e7\u00e3o digna e coerente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente na Ag\u00eancia Signis de Not\u00edcias Chega a parecer incoerente que crist\u00e3os sejam propagadores de not\u00edcias falsas, visto que o pr\u00f3prio Jesus aponta a &#8220;verdade&#8221; como um dos caminhos para segui-lo. Na teoria esse argumento bastaria. No entanto, vemos crescer o n\u00famero de pessoas de religi\u00f5es crist\u00e3s que n\u00e3o apenas recebem informa\u00e7\u00f5es sem fundamento, &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":167,"featured_media":8862,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15,4,7],"tags":[3029,1027,943,172,168,3030,1613,46,3031,330],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8969"}],"collection":[{"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/167"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8969"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9017,"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8969\/revisions\/9017"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8862"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/felipematias.com.br\/bereia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}